Publicado por: carolnocanada em: 25/10/2009
Aula das nove da manhã até às quatro tarde, homework, muitos lugares novos pra conhecer, preguiça, cansaço e temperaturas entre zero e oito graus, mas sensação negativa (sim, o frio tem culpa na minha lentidão), resultaram em um blog desatualizado. Mas, antes tarde do que nunca, bem-vindos ao meu SuperCorridoOcupado dia a dia em Toronto.
Hoje, o post vai ser diferente. Deixo pra vocês apenas tópicos do que foram os meus primeiros 14 dias na maior cidade do Canadá.
1. Eu agradeço muito por não ver alimentos asiáticos no meu prato. Os MacDonald são tudo de melhor na cozinha (em se tratando de Canadá, é claro). Carne, batata, massa, sopa, tomate, pão, manteiga, queijo, iogurte, cookies, café, chá, chocolate quente, sorvete, tortas. Simplesmente, um milhão de vezes melhor do que a comida da casa dos Chow, em Vancouver.
2. A ILSC daqui é a mesma lenga lenga da de Vancouver. Tem nome, mas não é bem o que dizem. Eu, muito pentelha e crítica que sou, meto pau em quase tudo que se refere a estudo, ainda mais se for de qualidade inferior à esperada. O bom de estar aqui é que dá pra pegar muita fluência pra falar, sem precisar pensar antes de conversar com alguém, e treinar muito bem o ouvido pra diferentes sotaques, já que aqui, além de canadense (DÃ!), dá de tudo: britânico, italiano, suíço, mexicano, espanhol, português, brasileiro, francês, suíço, colombiano, venezuelano, chinês, japonês, coreano e sei lá o que mais. O pior de entender é o sotaque dos asiáticos. Eles não sabem pronunciar a letra L! Beutiful é beautifuR e Carolina é CaroRina. Que nervoso!
3. A minha aula é preparatória pra prova de FCE (First Certificate in English) da Universidade de Cambridge e, por isso, é bem mais puxada que as outras, mas ainda assim não é tudo de bom. Eu fico doida da vida quando não existe explicação pra gramática de inglês, que é mil vezes mais fácil do que a de português e, ainda assim, é difícil. Detalhe: estrangeiro costuma saber gramática melhor do que nativo. Isso porque, enquanto a gente aprende que o sujeito tem que concordar com o verbo e qual a função de cada tempo verbal, eles têm aula de literatura. Aqui, ninguém estuda língua inglesa como nós estudamos língua portuguesa.
4. Enquanto Vancouver é muito muito muito linda por conta da quantidade de natureza ao redor, o charme de Toronto se encontra na mescla constante de prédios antigos e modernos, muitos shoppings (um deles tem cinco andares – dois abaixo da terra) e muitos museus. É completamente diferente do que experimentei na Costa Oeste do Canadá, mas é tão legal quanto. Ainda é impossível definir qual das duas eu prefiro.
5. Apesar de mais antigo, o transporte público é mais eficiente do que o de Vancouver. O subway vai de norte a sul e de leste a oeste, e a maioria dos ônibus sai de dentro de cada estação do metrô. Além disso, ainda têm os famosos “street cars”, bondes elétricos que dividem o espaço com os carros nas principais avenidas. E a história de que mal dá tempo de sentir frio é verdade. Todos os meios de transporte são equipados com heater e, por isso, é um calor de matar. Assim que entro no metrô, tiro o casaco pra não correr o risco de desmaiar no meio daquele monte de gente ensardinhada.
6. Até então, Downtown é a parte que eu mais gosto de ir. Tem uma quantidade quase que sem fim de lugares pra conhecer, várias opções de comida (canadense – ou seja, ovo frito, batata frita, hambúrguer e baicon -, mexicana, asiática, grega, árabe, italiana etc), todas as lojas que tu pode pensar em precisar e, o melhor de tudo, é um espetáculo pra quem aprecia a sobreposição de arquitetua antiga com nova. Vou pra lá todos os dias, mas não me canso de erguer a cabeça pra admirar os prédios.
7. Aqui, mais do que em Vancouver, todos os meus amigos são do Brasil. Não adianta! Por mais que eu percorra o mundo e encontre gente de tudo que é lugar, ninguém é receptivo como brasileiro. Fala sério! Eu não tenho paciência pra tentar fazer amizade com gente que não dá abertura, que não se esforça pra conversar. Estou sempre disposta a puxar papo com pessoas de qualquer nacionalidade, mas, se eles não tão nem aí pros recém chegados, eu é que não vou ficar insistindo na conviência. Se catar! Tenho mais o que fazer!
8. Falando em convivência, eu não suporto (juro!) o suíço que está na mesma casa que eu. A simpatia, demonstrada logo que eu cheguei, desapareceu da noite pro dia. Gente, imaginem um cara que fala francês (sim, já é cheio por natureza), que fuma, que é feio, que se veste com roupas mais feias ainda, que passa gel no cabelo (por sinal, não sei se ele é moreno, loiro ou ruivo), que, em um mês e meio de Toronto, ainda não conhece lugar algum, porque não faz nada além de ir pra aula e frequentar pubs ou festas nas sextas e sábados à noite, e que, pra completar, não mantém um diálogo por mais de cinco segundos com qualquer membro da família da MacDonald ou comigo! No mínimo, ele é detestável!
9. Niagara Falls é a queda d`água mais entusiasmante que eu vi na vida. É inacreditável como a natureza é perfeita e como uma coisa espetacular dessas existe a apenas alguns quilômetros de distância de onde eu estou. É muito boa a sensação de passar pertinho daquele monte de água que cai sem parar! Se eu pudesse, voltaria muitas vezes. Assim como Rocky Mountains e Victoria, é uma viagem pra entrar na lista do top 10 do Canadá.
10. Na CN Tower, a uma altura de 346 metros, vi Toronto inteirinha. Linda de morrer, com prédios imensos cortando as nuvens mais baixas, e os raios de sol refletindo nas águas do Ontario Lake. Não subi até a parte mais alta de observação, cem metros a mais, porque tinha que pagar 15 dólares extra e a vista seria quase a mesma. Não me xinguem! No exterior, 15 dólares a mais faz diferença!
11. Depois de frequentar os parques perfeitos de Vancouver, acho que vai ser difícil achar algo parecido em Toronto. Até agora, só visitei o High Park, que não ofereceu nada além de muita árvore, alguns matos e laguinhos ao redor de trilhas embarradas. De qualquer forma, como foi a única coisa menos boa até agora, não tenho grandes queixas.
12. Amanhã, vou conhecer o Bruno, que é primo-irmão do meu avô e mora em Toronto há 44 anos. A última vez que os dois se encontraram, se não me engano, foi no final da década de 80. Apesar da distância, o contato permance. Até hoje, eles se falam por telefone algumas vezes no ano. Meu vozinho querido está morrendo de alegria e ansioso por mim. É muito legal saber que ele vai ficar orgulhoso quando eu contar sobre o encontro!
13. Daqui dez dias, é meu aniversário. É a primeira vez que vou comemorar longe de casa, da família e dos amigos. Vai ser estranho, mas vai ser diferente. Vamo que vamo! Estou de boa!
14. Fotos e vídeos de tudo o que eu contei estão aquiiiii.
Publicado por: carolnocanada em: 03/10/2009
Não me venham com esta história de “queremos textos grandes”. Já sei que ando meio relapsa, sem contar tintinportintin do que eu tenho feito, mas é que, quando eu piso em casa, a preguiça me devora. Vocês não têm ataque de vagabundagem? Pois eu tenho constantemente. Fora que o cansaço do meu cérebro anda acima da média. Fazer a mente pensar sempre em inglês exige mais do que trabalhar oito horas de segunda à sexta, um final de semana sim, um não, depois de ter assistido às aulas da Famecos. Mas em algum momento eu tinha que voltar aqui pra atualizar a minha vida. Aliás, atualizar vocês sobre a minha vida. So, there we go!
HOCKEY GAME
Se eu fosse norte americana, não pensaria duas vezes em escolher o Hockey como esporte preferido pra admirar (porque pra eu praticar qualquer atividade mais movimentada do que pilates, só na próxima encarnação). Aproveitei o clima da patinação no gelo pra assistir à partida do Canucks, o mais famoso daqui, contra o Ducks, bem conhecido nos Estados Unidos. Foi emocionante, entusiasmante, vibrante e todas as outras qualidades que terminam em ante!
É quase que inacreditável como os jogadores têm tanta habilidade sobre lâminas instáveis. Eles patinam sem parar, tanto de frente quanto de costas, levando a bolinha pela quadra de gelo com tanta rapidez que, se piscarmos, perdemos o lance. A velocidade com que o jogo acontece é tão grande que o juiz não interrompe a jogada pra que os jogadores sejam substituídos!
E não é só a agilidade que empolga a plateia. Usar a força corporal pra empurrar o adversário contra a parede e sair no soco são atitudes permitidas em uma partida de Hockey. Na verdade, brigar não está previsto nas regras, mas, como faz parte do estilo bruto, os juízes deixam rolar por um certo tempo e depois suspendem os envolvidos por alguns minutos. Obviamente, a torcida acha o máximo! Admito que eu também achei. Aí embaixo, segue o vídeo da fight. Aqui, as fotos e outros vídeos.
UBC (UNIVERSITY OF BRITISH COLUMBIA)
Não dá pra morar por três meses em Vancouver e não visitar a faculdade mais famosa e melhor conceituada daqui, a UBC. Gigante, ela até parece uma cidade dentro da outra. Construções residenciais e ruas onde há tráfego normal se misturam com os prédios destinados a cada curso diferente. Tudo bem que a maioria deles chama a atenção mais pela feiúra e falta de conservação externa (pasmem, a faculdade é particular) do que por qualquer outro motivo, mas o interessante da universidade é poder conhecer um jardim japonês, um museu de antropologia, considerado o mais completo de Vancouver, e uma praia de nudismo (infelizmente, estava frio e não vi nenhum peladão). Tudo isso acompanhado de uma imensa quantidade de verde e uma bela paisagem proporcionada pela proximidade do oceano. Fotos neste link!
JASON MRAZ CONCERT
Só a performance muito boa e a presença de palco melhor ainda pra me fazer engolir o imposto de 33% sobre o valor normal do ingresso. Com 30 e poucos anos, mas cara de gurizinho, Jason Mraz embalou o coração de crianças, adolescentes e adultos que foram ao estádio GM Place, em Vancouver, em 30 de setembro de 2009.
Considerando que eu esperava um show bastante calmo, fui surpreendida. As letras e os ritmos românticos mesclados ao espírito brincalhão e super alegre do cantor transferiram animação pra plateia. Até quem estava nas cadeiras fez questão de levantar pra curtir o charmosinho Mraz.
Em uma hora e meia, ele apresentou músicas dos três CDs lançados até agora: Waiting For My Rocket To Come (2002), Mr. A-Z (2005) e We Sing, We Dance, We Steal Things (2008). Como esperado, as canções que levaram o público ao auge da emoção foram “You And I Both”, “I`m Yours” e “Lucky”. Essa última teve participação de uma amiga dele substituindo a Colbie Caillat que, originalmente, faz o tom feminino.
Outro ponto alto foi quando Mraz saiu do palco principal, atravessou o estádio entre todos os espectadores que estavam na pista e apareceu cantando no tablado dos cameramen. Detalhe: todo mundo achava que o show já tinha terminado. Quando a voz dele ecoou novamente, e as luzes voltaram, a galera delirou! A apresentação continuou cheia de graça por mais 30 ou 40 minutos.
A voz suave desse estadunidense de Mechanicsville, Virginia, deixa a mente e o coração mais leves do que pluma. Voltei pra casa com a alma lavada! Abaixo, estão os vídeos que gravei durante o show. Aqui, as fotos.
QUASE EM TORONTO
Sábado que vem pela manhã, pego o avião com destino a Toroto. Estou feliz e com expectativa! Claro que eu amei Vancouver, afinal, a cidade é um encanto e oferece opções de passeios maravilhosos, mas três meses são suficientes pra querer novidades.
Dá um friozinho na barriga saber que vou ter que começar tudo outra vez: nova família, nova casa, novos costumes, novas amizades e nova escola, mas sei que vai dar tudo certo. Ah, e já fui informada de que terei um brother da Suíça. Eu curti bastante quando a Anja, da Alemanha, estava aqui em casa. Acho que vai ser bacana ter um companheiro também. Pelo menos, pra praticar o inglês é pra lá de bom! Fora que já tenho referência da família e sei que são gente boa. Então, vamo que vamo! Toronto, me aguarde!
Publicado por: carolnocanada em: 24/09/2009
Na noite de hoje, quarta-feira, passei uma hora e meia patinando no gelo. Claro que não foi aquele ice skating elegante, mas rendeu um ótimo momento de descontração em meio a uma semana difícil, em que a saudade está dando as caras diariamente e o medo do que está por vir anda tirando a minha auto confiança.
Se pra quem mal sabe andar sob o gelo durante uns 100 metros, sem perder o equilíbrio e sem saber frear, patinação é muito divertido, imagina pra quem coloca o par de patins e sai deslizando, como se fosse um pássaro querendo levantar voo. A sensação de liberdade é tão grande que parece que dá pra percorrer o mundo em cima daquela lâmina afiada. Entretanto, a mesma parte da bota que te faz querer ir adiante sem nunca parar, pode, por qualquer descuido, te levar ao chão, digo, ao gelo. Aí, não tem outra opção. É parar ou parar.
Aconteceu comigo. Depois de dar umas treinadas básicas perto da parede, me senti mais confiante pra ir pro meio da pista. Não deu outra. Caí um tombo tão lindo que até parecia profissional! A recuperação foi rápida. Coloquei um dos joelho contra o gelo pra poder levantar e saí patinando feliz da vida de novo. Em momentos assim, o mais legal é rir de si mesmo e seguir em frente como se a queda não tivesse existido.
Aqui, estão as fotos e o vídeo. Enjoy it as I did!
Publicado por: carolnocanada em: 21/09/2009

Já sei. Já sei que não me faço presente no meu próprio blog há dias. Já sei que faz uma semana que voltei de Victoria, capital de British Columbia, e ainda não publiquei texto algum sobre a viagem. Também já sei que o tempo passou e, por isso, os detalhes pra descrever a cidade mais inglesa do Canadá se perderam. (Não, eu não estou praticando o senso jornalístico. Aliás, estou de férias completas da minha futura – ? – profissão.) Na minha mente, entretanto, cada segundo está bem vivo. Victoria, assim como Rocky Mountains, preenche a lacuna de melhor passeio.
Pra completar, resolvi me rebelar e anunciar que, desta vez, vocês ficarão sem texto, sem histórias sobre o que eu fiz ou deixei de fazer, aonde eu fui ou deixei de ir. Vasculhem as fotos se quiserem ter uns 15 minutos de belas paisagens pra apreciar. Hoje, elas falam por mim.
Publicado por: carolnocanada em: 12/09/2009

Chegou o momento de contar um pouquinho sobre Vancouver Downtown, a região onde eu passo de seis à doze horas por dia (às vezes, mais do que isso). É o local exato pra encontrar estudantes (bem mais estrangeiros do que nativos), trabalhadores, escritórios, bancos, lojas, escolas de língua, faculdades, restaurantes, cafeterias, farmácias, ruas famosas, prédios muito modernos e outros bastante antigos. Fora isso, ainda dá pra se deliciar com uma vista deslumbrante do ponto que conecta o centro ao norte da cidade.
Vancouver inteira é rodeada por oceano, o que a faz naturalmente maravilhosa. Downtown e locais vizinhos, por estarem bem perto do mar, são regiões ainda mais privilegiadas. As imensas enseadas naturais existentes no local propiciaram, ao longo dos anos, a construção das marinas mais espetaculares que os meus olhos já conheceram. Barcos e navios ancorados bem como a presença de prédios apoteóticos no entorno são colírios diários justamente porque estão ali, onde a maioria das pessoas têm suas atividades. Eu nunca tinha visto nada igual.
As belezas do local deixam o dia a dia mais leve e prazeroso. As ruas e as avenidas com muitas árvores proporcionam uma brisa quase que constante. A temperatura média de 20 a 25 graus (verão vancouveriano) é o que eu gostaria de ter ao longo do ano no Brasil. Durante o dia, manga curta, e, a partir do entardecer, dá até pra puxar um casaquinho. As ruas mais conhecidas, Granville e Robson Street, são pontos certos pra quem quer e pode ($$) fazer compras. O mais interessante é que, mesmo sendo lugar de tumulto, dá pra transitar sem se sentir em uma lata de sardinha.
Com tais fatores estusiasmantes fica até mais fácil encarar um ônibus e um trem (na maioria das vezes, muito lotado), levar 45 minutos ou mais até chegar lá e assistir aula das 9h às 14:30 com apenas uma hora corrida de intervalo pra almoço. Enfim, é uma pequena muvuca que satisfaz, ao menos, os estrangeiros.
O lado ruim de Downtown é a grande quantidade de moradores de rua. Pros brasileiros, não é nada assustador. É apenas frustrante no primeiro dia, porque a gente nunca imagina que vai encontrar alguns dos mesmos pontos negativos do Brasil. Vale ressaltar que, quando se fala em mendigos de Vancouver, não são apenas pedintes. Além de implorar trocados, uma grande parte sofre de distúrbio mental e é drogado. Dá pra perceber apenas olhando pra eles, mas, além disso, eu li uma matéria no jornal The Vancouver Province que confirma o fato.
É uma triste realidade que não recebe eficiente ação da província de British Columbia. Aqui, como no Brasil, o governo adota o sistema de cama pra dormir à noite. Felizmente, um novo projeto, que envolve análise médica de mais de dois mil mendigos que sofrem de distúrbios neurológicos, vai ser posto em prática a partir deste mês. Quem tiver interesse, pode ler a notícia publicada pelo Victoria Times Colonist.
Aqui, as fotos das coisas boas de Downtown.
E aqui, fotos de Granville Island, onde estive hoje à tarde. Lá, tem um baita mercado público e uma vista magnífica de False Creek, mais uma dessas enseadas e marinas de Vancouver. Valeu o passeio!
Publicado por: carolnocanada em: 10/09/2009
O convite pra conhecer Whistler, a cidade das Olímpiadas de Inverno de 2010, surgiu quando a Anja, a alemã, ainda estava aqui em casa. Na hora, como fui pega de surpresa, apenas agredeci e disse que ia conversar com meus amigos, porque também gostaria viajar pra lá com eles.

Na verdade, o que eu mais queria era dizer não e pronto. Nunca tinha cogitado passar dois dias inteiros com os Chow. Até porque a única vez em que isso aconteceu, eu estava em Vancouver há apenas 48 horas, ainda não tinha ido pra aula e não conhecia mais ninguém.
Passei o resto daquele dia matutando por que raios queriam que eu fosse com eles. O primeiro pensamento foi: “Estão querendo ser educados”. Afinal, por mais que eles sejam minha “família” canadense, não existe nenhum vínculo maior entre nós. Eles não têm obrigação alguma além de me dar café da manhã, janta, cama pra dormir, chuveiro pra tomar banho e máquina pra lavar roupa.
Quando cheguei na ILSC na manhã seguinte, contei a história pra Amanda e pra Maria. No final das contas, acertamos que elas viajariam com a escola e eu com os Chow. O passeio só se concretizaria, contudo, se pudéssemos nos encontrar lá e passar a tarde de domingo juntas. Eu até já tinha considerado que talvez não fosse uma experiência tão constrangedora, mas ficar algumas horas com as gurias, com certeza, seria mais legal do que passar o tempo todo com eles. Fora que, umas duas semanas antes, eu tinha jogado 50 dólares pela janela porque fiquei doente e perdi a ida pra Seattle. Era a chance de recuperar a grana, já que não precisaria pagar transporte nem hotel.
Em casa, durante a janta, expliquei a ideia. Pra minha surpresa, tanto o Michael quanto a Pearl concordaram que não teria problema, que poderiam me deixar e buscar onde eu quisesse. Fiquei bem feliz. Parecia que tinha começado bem.
Eram sete da manhã quando o celular despertou indicando o dia D. Banho, café e igreja (eles vão TODOS os domingos). Quem me conhece, porém, sabe que eu quase pago pra não ter que entrar em uma. Desde sempre, estranhamente, esse é um ambiente em que eu não me sinto bem (não questionem). Só fui junto porque eles queriam ir pra Whistler direto, sem precisar voltar em casa pra me pegar. Pelo menos, o fato de frequentarem uma instituição protestante e não uma católica tradicional fez com que a obrigação ficasse um pouco mais interessante. Nada de missa e construção monumental com imagens por todos os cantos, vidros desenhados etc. O tal do lugar era tão moderno que tinha até banda (guitarra, baixo, bateria, vocal, piano, teclado) e telão transmitindo ora a “missa”, ora as atividades extras oferecidas pela instituição. Mesmo assim, preciso confessar que o sono foi mais forte do que eu. Dormi, mais ou menos, vinte minutos enquanto o pastor falava aos adeptos. Ok, eu sei que foi uma atitude feia, mas eu não consegui controlar, oras. Por sorte, ninguém percebeu. Ou fingiram que não perceberam. Ao menos nenhum deles comentou algo a respeito.
Enfim, hora de pegar a estrada. Antes disso, contudo, a mãe da Pearl buscou o Benjamin e o Nathaniel na saída da igreja. Só pra constar, na maioria das vezes em que algum estudante participa de atividades com a família, as crianças são excluídas do programa. Não sei o exato motivo, mas talvez seja por causa do gasto extra ou porque eles são muito pequenos pra fazer certas coisas.

O dia não estava nada bonito. Chovia sem parar e a temperatura tinha descido pra uns 15 graus. Ironicamente, eu já tinha puxado os casacos de inverno de dentro da mala e o Michael continuava andando de manga curta. De qualquer forma, a chuva, o frio e o fato de passar muitas horas com pessoas que, apesar de quase dois meses de convivência, permaneciam meio que estranhas, eu queria espantar qualquer motivo que pudesse abalar a minha vontade de fazer a viagem valer à pena. O desafio estava lançado.
De dentro do Honda CR-V, fui contemplada pelas belas paisagens. Montanhas margeadas por lagos límpidos encheram os meus olhos desde os primeiros minutos de viagem. Nem a enorme quantidade de nuvens e os pingos intensos deixaram o caminho menos bonito. Talvez porque, quando se está no exterior, tudo é visto com um outro lugar.
Depois de duas horas, Whistler apareceu lindona a minha frente. Um conjunto de construções muito ajeitadinhas e feitas no mesmo padrão compõe a pequenina cidade, que mais parece uma casa de bonecas pra gente grande. Muitas lojas, hotéis e restaurantes, resort de sky (só no inverno), campo de golf, gôndola, rafting e mountain bike são as principais atrações.

Logo que cheguei, ao meio-dia, encontrei as gurias em Whistler Village, que é onde ficam todas essas atividades, exceto o campo de golf e alguns hotéis. Falando em golf, enquanto eu passei a tarde na companhia das minhas duas malas de estimação, a Pearl e o Michael, junto com mais três amigos, foram praticar suas habilidades. Na real, no final do dia, quando vi as fotos e vídeos do jogo, descobri que eles eram muito ruins (hahaha).
Abaixo de muita chuva, vento e frio, o que eu e as gurias nos dispomos a fazer foi entrar em todas as lojas e vasculhar todos os preços abusivos por conta das Olimpíadas do ano seguinte. A salvação é que, juntas, temos a capacidade de rir até das coisas não tão boas. A Amanda, então, é campeã de contar histórias muito engraçadas e me arrancar gargalhadas. Dessa vez, não foi diferente. Quer dizer, tirando o fato de que ela e a Maria estavam apavoradas com a friagem, os risos foram garantidos. Também, né. Vindas de Brasília e de Medellin, na Colômbia (pra quem não sabe, em Medellin faz uma média de 20, 22 graus o ano inteiro), não é nada fácil curtir a temperatura 12. Se até eu estava com frio, imagina elas. Quase morreram.

Quando a gente já não aguentava mais zanzar, sentamos numa cafeteria quentinha pra continuar o papo e esperar o momento em que elas teriam que voltar pra Vancouver. A viagem delas, ao contrário da minha, era de um dia.
Depois que as duas partiram, esperei umas três horas até que o golf terminasse. Não foi ruim e eu nem fiquei entediada. Continuei passeando, bisbilhotando tudo que era loja e tive até um momento de auto diversão quando percebi que o meu guarda chuva tinha ficado na coffee shop. De tão despreocupada, só voltei pra buscar depois de percorrer as lojas que ainda restavam. Eu sabia que ele não sairia de lá. E não saiu.
Quando o jogo terminou, o Michael veio me buscar pra irmos jantar em um hotel bem chique, daqueles em que os hóspedes andam de roupão de banho pelos corredores antes de ir pra sauna, piscina ou seja lá o que for. Enquanto isso, a Pearl e os seus três amigos já estavam lá pra reservar lugar. Quando sentamos à mesa, fixei os olhos na parte de hambúrguer. Aqui, as comidas são tão estranhas e ruins que não dá pra correr o risco de pedir algo pior do que pão, carne, queijo e batata frita. Sem erro. Como sempre, enchi a barriga de porcaria.
O melhor da janta foi perceber o quanto minha habilidade de listening melhorou em um mês e meio. Na primeira vez que saí com eles, no final de semana em que cheguei em Vancouver, eu não consegui acompanhar muito bem a conversação informal de uma janta entre amigos. Captava bastante coisa, mas não o suficiente pra tagarelar junto. Dessa vez, entretanto, entendi uns 80 ou 90% do papo e ainda participei. Fiquei muito confortável ao ver que meu nível está em constante evolução.
Duas horas e meia mais tarde, nos acomodamos no chalé do David, um dos amigos casal. Pelo que eu sei da história, eles se conheceram há uns 15 anos, em encontros da igreja. Curiosamente, enquanto o David tem apenas 26 anos, o Michael tem 38 e a Pearl tem 40. O mais estranho é que eles são amigos apenas do David e da irmã dele, mas não dos pais dos mesmos. Vai entender esses canadenses…
Além de a casa ser enorme (três andares), aconchegante (inteiramente acarpetada, inclusive as escadas, por causa do inverno rigoroso) e bem arrumadinha (a mobília tinha cara de nova), eu dormi em uma cama esplêndida de tão macia. Um lugar confortável pra pregar os olhos ajuda bastante quando as horas de sono não são muitas. Ferrei igual a uma pedra.
Oito da manhã do dia seguinte e todos estavam em pé discutindo a possibilidade de fazer rafting ou não. A chuva tinha parado, mas a temperatura continuava uns 12 graus. Opinião vai, opinião vem, e todos, menos eu, decidiram que desceriam o Green Lake remando contra a correnteza dentro do bote inflável. Eu estava com muita vontade de ir, mas 12 graus era frio suficiente pra eu vestir um moletom e um colete bem quentinhos. Por isso, pensei até o último minuto. Quando chegamos ao local certo, meu primeiro passo foi encher de perguntas a mocinha do balcão de informações. “Tem roupa especial?”, “Ela protege mesmo do frio?”, “Se eu me molhar muito, qual a sensação térmica?”, “E se eu cair na água?”. Respondidas às perguntas, uma lâmpada acendeu sobre a minha cabeça: “Se eu não for, o arrependimento vai bater”. Olhei pro Michael e pra Pearl e disse que ia junto. Eles sorriram.
Momento da preparação. Vestimos roupa de surfista (aqueles macacões emborrachados, de manga longa e compridos até o tornozelo), calçamos botas feitas do mesmo material, colocamos colete salva vidas e capacete. Pra finalizar, recebemos os remos e partimos em direção ao Green Lake. Pra chegar ao começo do lago, foram necessários 20 minutos dentro de um caminhãozinho com cara de ônibus escolar.
Já no caminho, com aquela água verde e maravilhosa na minha frente, eu comecei a agradecer por ter decidido participar da aventura. A cada quilômetro percorrido, era mais um “obrigado”. A água era realmente tão verde que, mesmo sem sujeira alguma, era impossível ver as rochas submersas.

Antes de entrar no bote, ouvimos as instruções básicas de segurança. E, quando já estávamos acomodados nas bordas infladas, aprendemos em que posição sentar e como remar pra fazer com que o bote acompanhasse o curso da água corrente.
O assunto era sério, mas ninguém conseguia ficar mais de um minuto sem rir porque o guia era muito engraçado e dava as explicações de um jeito super divertido. A propósito, ele foi o único canadense típico que encontrei até hoje: branquelo, alto, loiro e orelhudo.
O percurso rendeu muito frio, já que eu estava bastante molhada, e medo de cair na água gélida. Em contrapartida, ri à toa, apreciei uma paisagem lindíssima e tive um baita momento ao lado da minha hostfamily, algo que eu jamais tinha imaginado. Não temo em afirmar que cada centavo dos 66 dólares foi bem investido.

Fim do rafting, fim da viagem à cidade olímpica. Vestimos nossas roupas, comemos muffin acompanhado de chocolate quente e descemos a serra. Às 18h, assim que pisei em casa, corri pro skype pra contar a novidade pro pai e pra mãe. Assim como eu, eles amaram.
Fotos gerais e vídeos aqui.
Publicado por: carolnocanada em: 09/09/2009

Enquanto o texto da viagem pra Whistler, a cidade das Olimpíadas de Inverno de 2010, não fica fica pronto, cliquem aqui pra curtir as fotos e os vídeos do passeio. O melhor de tudo foi o rafting no Green Lake, enfrentando um frio de 12 graus e uma água tão gelada que, por alguns momentos, eu não senti uma das minhas mãos. Depois dessa, eu estou tão chique que rafting em Três Coroas, no Rio Grande do Sul, saiu da minha listinha de coisas pra fazer antes de morrer.
Publicado por: carolnocanada em: 31/08/2009
Não bastou eu ter chorado igual uma doida no aeroporto de Porto Alegre antes de vir pra Vancouver. Quando eu pensei que não haveria mais despedida, que nada seria tão duro quanto dar tchau pros meus pais, mano, mana, sobrinho, primos e amigos, eis que (quase) todas as pessoas que eu conheci no Canadá e que ficaram próximos de mim durante um mês e meio, resolvem voltar pros seus respectivos países na mesma semana. Tchê, assim é pra matar o meu pobre coração.
O conjunto estar-sozinho-em-um-lugar-diferente faz com que as pessoas se aproximem meio rápido. No primeiro dia de aula, a gente procura falar com todo mundo, tentar conhecer, perguntar de onde é, o que veio fazer, por que escolheu a ILSC, quantos anos tem e assim vai. Quando todos são novos e recém chegados, é bem mais fácil construir amizade, afinal, estão todos na mesma situação: longe de casa, dos pais, dos amigos e comendo uma comida muito ruim que o tal do Canadá faz questão em manter. As pessoas que, no primeiro momento, são mais amigáveis, estão dispostas a entrar em contato com novas culturas e que saem pra almoçar juntas são as que vão ficar contigo até a hora em que o destino permitir, até o dia em que a grana acabar, até o momento em que os pais ligarem dizendo que vão buscar pelas orelhas. Comigo não é diferente, só que o destino está mandando (quase) todo mundo embora antes de mim. Do grupo inicial, só vai ficar eu, a Amanda e a Maria pra contar história.
O Rodrigo, de Santos, foi o primeiro a partir. Ele voltou pra casa há umas três semanas pra continuar estudando e trabalhando. Esse guri, com 20 e pouquinhos anos, tem um cargo importante no Porto de Santos. Com razão, veio só passar as férias de inverno, pois não podia largar o emprego. Fez as malas e retornou com o coração na mão. Um dia antes de ir embora, esse peste, que estava sempre rindo e fazendo todo mundo rir, parecia que tinha visto assombração. Ele não queria voltar de jeito nenhum. De novo, com razão. Três semanas em Vancouver é muito pouco. Pelo menos deu tempo da gente se conhecer né, Rodrigo?! (Eu sei que ele vai ler isso aqui, porque continua acompanhando as nossas aventuras pelo meu blog).

Eu e o Rodrigo ricos por dez minutos
Ontem (sábado) no começo da tarde, fui arrebatada pelas lágrimas quando me despedi da Anja, a alemã que ficou aqui em casa por um mês. Eu tentei ser forte, mas não deu. Ela entrou no táxi com direção ao aeroporto e eu comecei a chorar. Foi uma surpresa, não pensei que seria assim. Durante os 30 dias em que dividimos a mesma homestay, eu não senti que estávamos tão próximas. Talvez porque as nossas diferenças gritaram aos meus ouvidos e saltaram aos meus olhos desde o dia em que ela me parou, na rua, pra perguntar se eu era a guria que estava na mesma casa que ela. Com o pouco tempo de convivência, a impressão que ela me passou foi a de que, aos 22 anos, é uma pessoa muito mais sisuda do que eu. Às vezes, eu simplesmente não queria ouvir o que ela tinha pra dizer porque ela vinha com papo de mãe, querendo mostrar que entendia de assuntos seríssimos. Mesmo assim, reconheço que ela foi uma baita companhia e que fizemos vários programas legais juntas. Não vai ser fácil ter que tomar café da manhã sozinha, pegar ônibus sozinha, ir ao encontro do resto do pessoal sozinha e saber que ela não vai vir bater na minha porta, sentar na minha cama e conversar por longas duas ou três horas sem parar, dois minutos depois de eu ter pisado em casa.
Sexta, como foi o último dia dela aqui, passamos mais de doze horas zanzando. Depois que ela saiu do trabalho e eu saí da aula, fomos pra PNE (Pacific National Exhibition), um evento anual com atividades que vão desde cachorro fazendo acrobacia, vacas gigantes pastando, corrida de porcos e patos, lojinhas com muita tralha, mil stands de comida, máquinas de jogatina e até um play land com elevador que despenca e blablabla. Não era nada de muito empolgante, mas, como o convite partiu dos Chow e ainda não tínhamos feito nenhum programa com eles, resolvemos encarar e passamos a tarde com a Pearl, o Michael, o Nathaniel e o Benjamin. Mas não pensem que isso é comum, que volta e meia rola convite pra fazer coisa em família. Por via de regra, aqui o esquema é o seguinte: estudantes por si e eles por eles. Não é ruim, não é bom, é apenas estranho. Todos que passam por aqui são como hóspedes: tem cama, comida e água pra tomar banho. Nada além disso.

Sorvetinho na PNE

Os Chow, eu e a Anja
Quando já era umas seis da tarde, encontramos mais alguns amigos da Anja e fomos jantar no Spaghetti Factory, um restaurante famoso no centro da cidade. Tenho que agradecer quando surge a oportunidade de ir em algum lugar decente pra comer. Ainda que a massa não seja tão boa quanto a da vovó ou a da Dona Maria, até que dá pra satisfazer. Também né…enfiando fast-food goela abaixo todo santo dia até uma massa sem molho é capaz de ficar maravilhosa!

Todo mundo de barriga cheia
Enfim, terminamos a noite na praia de English Bay, sentadinhas nos troncos de árvore, contando causos da vida estrangeira. Menos de meia hora depois, porém, fomos expulsas pelo fedor de um gambá que, não feliz com a nossa presença, resolveu soltar o seu cheiro nada agradável.

Antes do gambá nos mandar embora
Quando chegamos em casa, a Anja não sabia se estava feliz por voltar pra Alemanha ou triste por deixar Vancouver. Imagino que seja a sensação de todo o estrangeiro prestes a retornar ao lar.
Aqui, vocês conferem as fotos do bye bye pra Anja.
Pra continuar com a saga “amigos partindo”, falta comentar da maior de todas as perdas. Jenny, a coreana famosa pelo vídeo em português, volta pra Seul terça-feira. Aqui, eu ainda não achei ninguém tão insano, tão alto astral, tão inteligente, tão simpático, tão desastrado, tão cheio de energia e tão diferente quanto ela. Desde que nos conhecemos, na primeira semana em Vancouver, foi ela a responsável pela maior parte dos meus ataques de risos e pela maior parte das minhas frases de “I can`t believe”. O jeito dessa guria é de encantar qualquer um. Ela consegue arrancar sorrisos onde quer que vá. Com certeza, é uma das maiores virtudes que alguém pode ter. O tempo vai passar e talvez a gente não se encontre de novo, mas eu nunca vou esquecer desses olhos puxados ingênuos e ao mesmo tempo malucos que proporcionaram tanta diversão em tão pouco tempo.
Sábado, pra dar início ao tchau coletivo, ela reuniu os amigos pra jantar e depois tomar umas biras num pub bem bacana. A noite rendeu barriga cheia, muitas risadas e fotos pra lá de engraçadas. Hoje, passamos a tarde em um parque lindão, o Queen Elizabeth, que é conhecido pela imensa quantidade e variedade de flores, com um jardim mais chique e bem cuidado do que o outro. É de encher os olhos! Ah, e aproveitamos o cenário pra gravar a segunda edição do vídeo em que ela fala português (cliquem aqui pra assitir). Amanhã, a programação final ainda não está definida. A única certeza é que ela vai receber um presente meu, da Amanda e da Maria que, sem dúvida, vai fazer seus pequenos olhos transbordarem. Organizamos um álbum com as fotos dos nossos melhores momentos e escrevemos uma frase em cada uma delas. Eu só quero ver a cara de surpresa da Jenny! Nossa, ela vai morrer de alegria e de tristeza ao mesmo tempo!

Enlouquecidas no Malone`s Bar

Todos os amigos deixaram recado na bandeira da Jenny
Não é fácil saber que, na terça, ela não vai mais estar entre nós. Será preciso um tempinho pra acostumar a mente e o coração. Pelo menos a Amandinha, meu braço direito e esquerdo aqui em Vancouver, só volta pro Brasil no dia em que eu vou pra Toronto!
O próximo a partir, sábado que vem, é o senhor José Tércio Filho, vulgo Tercinho. O mineiro com o sotaque e as expressões mais curiosas do mundo também vai deixar saudade.
Eita, assim meu coração não aguenta. E ainda tem que ir pra Toronto, fazer amizades e dar tchau pra todas elas. Ainda bem que tem um tempinho até o dia do juízo final!
Aqui, as imagens da despedida da Jenny. E aqui, o dia em Queen Elizabeth Park.
Publicado por: carolnocanada em: 26/08/2009
Até fora do Brasil rola clube da luluzinha. Sexta passada, 21 de agosto, foi o dia de reunir as mais chegadas pra fofocar, falar besteira, comer porcaria e assistir filme. O programa não começou com trans, fat and junk food, mas terminou exatamente assim.
Como sexta é o único dia da semana que não temos aula à tarde, marcamos de ir a um restaurante coreano prestigiar a nossa amiga mais insana, Jenny Park. Apesar da expectativa, não sei quem era a mais cagada pra experimentar a comida: eu, a Amanda ou a Maria. Em pensamento, eu só pedia que nada fosse parecido com a culinária japonesa (só gosto de sushi e sashimi) ou com a chinesa (não aguento mais ver noodles com vegetables na minha frente), caso contrário, eu teria que usar o meu potencial de sinceridade e dizer que os coreanos também são péssimos de cozinha.

Como chegamos no restaurante meio tarde (já passava das 13h30min), a Jenny só falava em coreano com a garçonete pra agilizar o atendimento. Assim, pra que a gente pudesse captar o papo, ela fazia tipo tradução instantânea: coreano, inglês, inglês, coreano. Deu certo: a comida chegou na nossa mesa sem pimenta (era essencial que fosse sem pimenta). Por tradição, a culinária da Coreia do Sul é preparada com tudo que é coisa picante, muito picante. Então, pra agradar suas queridas amigas que não estavam a fim de chorar ou deixar de sentir a própria boca, Jenny ordenou que tudo viesse sem ou com uma quantidade suportável de pimenta. Só pra vocês terem ideia do quão hot é o que eles comem, vale mencionar que a primeira coisa que a garçonete colocou na nossa mesa foi um copo com água e gelo. Serve pra aliviar a sensação de que tudo está pegando fogo.

Depois que o pedido estava feito, não levou nem cinco minutos pra que a enorme quantidade de comida começasse a saltar aos olhos. Curiosamente, tanto a carne quanto os vegetais (esses são os ingredientes do burgogui) são cozidos no próprio suco (sangue) da carne. Nenhum prato coreano leva azeite ou outro tipo de óleo. Ok. Eu sei que pra quem lê pode parecer nojento, mas eu juro que pra quem come é tri bom! Eu me surpreendi e adorei praticamente tudo que eu provei. Só o tal de Kimchee, feito de repolho com pimenta, que não era comestível. Também experimentei um arroz com vegetais, conhecido por bibimpa (esse era um pouco apimentado), e vários outros tipos de carnes que vieram em um grill (pra minha alegria, tinha até coraçãozinho de galinha).


O mais impressionante foi perceber que comer arroz com chopsticks (os tais pauzinhos que todos os asiáticos usam) é mais fácil do que comer peixe cru com os mesmos utensílios. Caramba, até que não sou ruim na arte de usar os palitinhos, mas, se eu não conseguisse, fome é que eu não ia passar. Não temeria em pedir garfo e faca, afinal, não é todo dia que se pode experimentar burgogui e bibimpa. No fim das contas, o melhor mesmo foi ver a alegria da guria dos olhos puxados ao ter certeza de que todas nós gostamos da comida! Nossa, ela se sentiu muito orgulhosa.

Pra completar o dia só das meninas, fomos pra homestay da Jenny ver filme (Mama Mia!) e comer negrinho de panela. Não queiram saber quanto custa a porcaria da lata de leite condensado aqui no Canadá. Realmente, foi só pra mostrar como é um dos doces mais doces que se come no Brasil. Não podíamos perder a oportunidade, mas eu juro que quase chorei pra pagar. Por sinal, todo mundo fica horrorizado com a quantidade de açúcar que brasileiro ingere. Eu, ao contrário, sinto raiva por não encontrar coisas realmente doces nesse países. Claro que a Maria e a Jenny lamberam os beiços! E eu e a Amanda também, obviamente! A secura de comida brasileira está nos matando a cada dia. Já pensamos até em dispensar o lugar no avião porque poderemos voltar boiando (quem sabe rolando, mas fica meio impossível com tanta água no meio do caminho). Culpa das fast-food sux!

